A atenção primária de saúde (APS) costuma ser o primeiro contato que uma pessoa tem com o atendimento médico e de demais profissionais da área. No geral, ela oferece serviços não especializados, focados em ações de saúde, sejam coletivas ou individuais, e visa proporcionar melhor qualidade de vida ou realizar o diagnóstico precoce de doenças.

Os profissionais desta área focam em difundir e aplicar medidas preventivas, como o combate a vetores e vacinação, além de identificar problemas prioritários e orientar quanto a mudanças no estilo de vida.

Ao cuidar de pessoas e não de doenças, a APS consegue evitar que problemas de saúde apareçam ou se desenvolvam. Isso afeta diretamente no atendimento de urgência e emergência. Quando a pessoa muda hábitos, é vacinada ou tem um diagnóstico precoce e tratamento adequado, os casos de urgência tendem a não aparecer ou a pelo menos ter uma menor incidência.

A APS tem como chave a prevenção

Há diversas doenças causadas por problemas hereditários. Há outras que têm origem de hábitos de vida não saudáveis, como alimentação inadequada ou sedentarismo. Há ainda as que podem ser evitadas com a vacinação correta ou apenas com um controle de vetores bem desenvolvido. Todas essas causas são focos dos trabalhos feitos pelo que é classificado como atenção primária.

Com isso, profissionais que atuam nesse setor precisam estar preparados para enxergar tanto as particularidades do indivíduo, quanto como a família e até as condições do seu bairro influenciam direta ou indiretamente em sua saúde. A ideia é orientar e fazer as mudanças necessárias para que a realidade atual não se transforme em doença ou atendimento de emergência futuro.

Assim, cabe também à atenção primária tanto a detecção, quanto o acompanhamento de doenças agudas e crônicas, visando evitar o agravamento. O trabalho da equipe é intenso e multifatorial. Esses profissionais precisarão avaliar fatores de risco como:

  • Uso de drogas;
  • Tabagismo;
  • Alcoolismo;
  • Dieta inadequada;
  • Sedentarismo;
  • Hanseníase;
  • Lesões pré-cancerosas ou câncer;
  • Atividade sexual sem proteção;
  • Doenças crônicas não diagnosticadas, como a hipertensão e diabete;
  • Tratamento interrompido de alguma doença;
  • Alterações ambientais que possam ser prejudiciais como água não tratada, presença de esgoto a céu aberto, acúmulo de lixo;
  • Automedicação;
  • Presença de vetores na região, que possam ser transmissores de doenças como malária, dengue, chikungunya, esquistossomose, entre outras.

Todos eles podem estar ligados ao desenvolvimento de doenças diversas como as infectocontagiosas, cardiopatias, diabetes, entre outros.

Quando o desenvolvimento da doença acontece, além dos riscos para a vida da pessoa aumentarem, os custos de tratamento são elevados. Isso sem contar que ela, provavelmente, deverá procurar os atendimentos de emergência seja para o controle da glicemia, uma crise de hipertensão ou por causa de doenças virais, como a dengue, por exemplo. Assim, acabam aumentando o número de atendimento em pronto-socorro por não terem realizado os procedimentos preventivos necessários.

Quando a equipe de APS existe, é ativa e apta a realizar um bom trabalho, ela consegue identificar esses problemas de saúde antes mesmo de eles se agravarem. Assim, a pessoa tem um controle da enfermidade ou evita que ele se desenvolva e, consequentemente, acaba não precisando tanto do atendimento de emergência quanto precisaria, caso a ação preventiva não tivesse sido aplicada.

Por que a atenção primária de saúde é importante?

Como visto, a APS ajuda a prevenir doenças e evitar que os quadros se agravem. Assim, colabora tanto para diminuir o fluxo de pessoas no pronto-socorro, quanto para evitar internações hospitalares.

Uma pesquisa feita no Estado de São Paulo analisou 2.045.928 internações, que foram realizadas entre os meses de janeiro e outubro de 2014 nos serviços de saúde pública. Desse número, foram subtraídos os casos de internações para cuidados prolongados e partos, restando 1.648.901 casos. De acordo com a análise, 301.538 internações, ou seja, 17,9% das realizadas, poderiam ter sido evitadas se as pessoas tivessem sido atendidas pelo serviço primário. O mesmo pode ocorrer em hospital particular. Há muitos problemas que poderiam ter sido tratados no início ou evitado que acontecesse, caso houvesse um sistema de APS.

Esses dados mostram como a APS é importante tanto para os beneficiários, ao prevenir o desenvolvimento de doenças, quanto para os próprios serviços de saúde, que diminuem gastos e superlotação com internações que poderiam ter sido evitadas.

Importância de se ter uma equipe preparada e atuante na área

  • Os profissionais estão aptos a dar uma resposta imediata a mudanças ambientais e demográficas que possam gerar prejuízo à saúde;
  • Aumento da expectativa de vida das pessoas atendidas, visto que a equipe atua na prevenção de doenças;
  • Diminui o número de atendimentos de emergência;
  • Diminui o número de internações;
  • Reduz os gastos totais com saúde, visto que trabalham melhorando as condições e impedindo agravamento de enfermidades;
  • Melhora a eficiência no atendimento de saúde prestado;
  • Oferece atenção mais individualizada ao atendido, visto que esse profissional se preocupa não apenas com o sintoma revelado, mas com todo o contexto no qual a pessoa está inserida;
  • Costuma ter melhor comunicação com as pessoas e criar vínculos, por terem um contato mais próximo e frequente. Isso ajuda o indivíduo a receber de forma mais aberta às informações transmitidas e colaborar com mudanças de hábitos;
  • Colabora com o sucesso de campanhas de vacinação, pois tem contato mais frequente com a população e pode explicar a importância dessas campanhas;
  • Consegue trabalhar de forma multidisciplinar colaborando para que o atendimento seja mais eficaz;
  • Ajuda a melhorar a segurança sanitária;
  • Colabora para prevenir e diminuir os riscos de epidemias, ao promover ações de saúde pública, entre outros.

Com todos esses benefícios, fica mais simples compreender como a atenção primária à saúde ajuda na rotina de pronto-socorro. A atenção preventiva e contínua dos beneficiários impede que os quadros de saúde se agravem, e tem impacto direto na redução de situações de crises e de emergências.

Isso sem contar os benefícios trazidos com o maior esclarecimento sobre os programas de vacinação. A maior adesão evita epidemias e também colabora na redução do número de atendimento hospitalar. Todo profissional de saúde passa por desafios diários. Por isso, precisa sempre estar bem informado, procurando alternativas mais eficientes e viáveis. Você encontra essas informações em nosso blog. Navegue!

Como o serviço de APS pode contribuir para a redução da demanda dos serviços de urgência/emergência?

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