Insegurança. Esse é o sentimento que assola a população em geral devido à pandemia da Covid-19. Para os profissionais de saúde esse sentimento é ainda mais forte, já que muitos estão na linha de frente do tratamento à doença e precisam lidar diariamente com o risco de se contaminar e contaminar familiares, além do isolamento social, carga de trabalho maior e necessidade de tomar decisões indesejadas diante da falta de recursos. Existem ainda outros fatores de risco que comprometem a saúde mental desses profissionais, segundo nota técnica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SESDF). A psiquiatra Fernanda Benquerer listou outros fatores:

  • Estigmatização por trabalhar com pacientes com COVID-19 e hostilidade por parte da população;
  • Falta de treinamento ou capacitação para lidar com a doença;
  • Estado de alerta e hipervigilância constante;
  • Falta de Equipamentos de Proteção Individual que dão mais segurança para evitar o contágio;
  • Necessidade de adaptação a novas formas de trabalho;
  • Frustração por não conseguir atender e resolver todos os problemas dos pacientes e do próprio sistema de saúde;
  • Dificuldade ou falta de energia para manter o autocuidado;
  • Informação insuficiente sobre exposição por longo prazo a indivíduos com COVID-19;
  • Necessidade de orientar amigos e familiares e desmentir boatos e notícias falsas frequentemente;
  • Luto pela perda de colegas de trabalho e pessoas conhecidas;
  • Possibilidade de Síndrome de Burnout, que engloba a sensação de esgotamento, distanciamento emocional e perda de sentido de realização profissional.

Principais sinais de estresse

Diante desse cenário, é fundamental que os profissionais de saúde fiquem atentos aos sinais de estresse e busquem ajuda caso a situação se agrave. Gestores também devem ficar atentos ao comportamento desses profissionais. Confira alguns:

  • Alterações ou distúrbios do apetite e do sono;
  • Conflitos interpessoais;
  • Aumento dos atos agressivos e da ocorrência de violência contra o outro e contra si mesmo;
  • Atos compulsivos desencadeados por pensamentos obsessivos;
  • Letargia ou agitação;
  • Crises de pânico;
  • Episódios depressivos;
  • Crises ou agravamento do transtorno de ansiedade.

Orientações para um ambiente de trabalho mais saudável

Para evitar que a saúde dos profissionais de saúde se agrave, é importante seguir algumas recomendações, em especial os gestores de equipes nos hospitais. O Ministério da Saúde e a Fiocruz elaboraram uma cartilha com orientações. Veja algumas delas:

  • Acompanhe o bem-estar de sua equipe de forma regular, deixando-os à vontade para falar com você sobre seu estado mental e sua capacidade de trabalho.
  • Gestores devem passar confiança aos trabalhadores. Conhecimento sobre a doença e treinamento sobre o uso adequado do EPI é premissa para a estabilidade emocional da equipe;
  • Garantir comunicação de boa qualidade e atualizações precisas das informações pode ajudar a atenuar as preocupações com as incertezas que os trabalhadores têm e ajuda a proporcionar uma sensação de controle. Realize reuniões periódicas com a equipe, onde as questões que surgirem possam ser faladas por todos da equipe;
  • Se possível, alterne os trabalhadores entre atividades de alta e baixa tensão;
  • Respeite os momentos de descanso e cuide para que sejam respeitados;
  • Reconheça cada esforço feito e estimule o incentivo mútuo entre os profissionais;
  • Disponibilize espaços adequados para alimentação, descanso e água potável para os trabalhadores;
  • Mapeie e divulgue ações de cuidado em saúde mental disponíveis para os trabalhadores, por exemplo: suporte psicológico online, equipes de saúde mental que possam atendê-los e/ou atuar junto aos profissionais de saúde in loco com os pacientes.

Essas dicas são fundamentais para criar um ambiente seguro para os profissionais e permitir que a carga emocional de lidar com situações extremamente estressantes sejam atenuadas. Somado a isso, é indicado que cada profissional, em seu momento de descanso, busque por atividades que possam aliviar as tensões do dia a dia, como a conversa com parentes, a prática de exercícios físicos e meditação. Também é importante manter uma alimentação saudável e evitar o excesso de informações. Com essas orientações, o profissional de saúde estará mais protegido e apto a lidar com as situações de adversidade no dia a dia e oferecer suporte aos pacientes de forma segura e adequada.

Referências utilizadas:

A saúde mental dos profissionais de saúde em meio à pandemia covid-19. Disponível em: http://www.saude.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2018/03/Materia-Site_Para-profissionais-de-Sau%CC%81de_A-Sau%CC%81de-Mental-em-meio-a%CC%80-Pandemia-COVID-19.pdf Saúde mental e atenção psicossocial na pandemia covid-19. Disponível em: https://www.unasus.gov.br/especial/covid19/pdf/110

Por Camila Leal, especial para a ForMedici

Orientações para o bem-estar mental dos profissionais de saúde durante a pandemia

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